Release
Tijolada Reggae é o volume sonoro vindo diretamente
do alto-falante para seu tórax e seus quadris. É o reggae
que, quando bate, você não sente dor. É o "tum"
do baixo saindo da cozinha e fazendo sala para o conversê bateria-voz-guitarras-teclados,
com a percussão garantindo o tempero desse vatapá jamaicano
de paladar brasileiro. Como ingrediente principal, o tal do roots reggae,
guarnecido pelo que cada integrante desse sexteto traz na sacola.
Há cinco anos, Rogério Fagundes (voz e guitarra base) resolveu
deixar sua militância de MPB e blues nos bares e chamar o amigo já
meio cansado do rock das garagens, João Villar (bateria), para se
divertirem tocando as queridas pedras preciosas de monstros sagrados como
Joe Higgs, Gregory Isaacs, Jacos Miller, Gladiators, Eric Donaldson, Starlights
e outros nomes ainda mais desconhecidos dos "leigos". Dois anos
depois, Helinho Franco (percussão e toast) embarcava nessa "positive
mistery tour". Na bagagem a experiência meteórica do afro-caribenho-brasileiro
Obina Schock mais as credenciais de produtor e apresentador do programa
de reggae e afro-beat Radiola Reggae. Na sequência chegaram os companheiros
das seminais bandas Acarajazz e Afrodisia: primeiro, cheio de suingue e
simpatia, Roberto "Betão" do Nascimento (baixo), pilar
do estilo reggaepioneer baiano-candango Renato Mattos e primeiro nome a
ser lembrado por quem esteja em busca de algumas toneladas a mais no som.
Logo depois, o homem-dos-mil-timbres, Daniel Baker (teclados). Formado em
violão clássico pela UnB e professor da Escola de Música
de Brasília, Daniel veio enriquecer o vatapá com seu estilo
jazzy. Finalmente, o blueman Edu Brito (guitarra), formado em composição
em Berklee-EUA, engrossou o caldo com sua guitarra faiscante e vocal visceral
vindos diretamente do fundo das "muddy waters" do rio Mississipi.
E aí está a receita do Tijolada: reggae temperado com pitadas
dos primos musicais, todos descendentes da Mãe África. Reggae
para os ouvidos, pernas, cabeça, sentimento e alma. Para dançar,
pensar, emocionar-se ou, simplesmente, ouvir. Feito com amor, carinho e
reverência aos ancestrais desse gênero nascido de um povo que
mistura alegria e dor, como o brasileiro. Um lamento carregando em si os
ecos do Tempo - Senhor do Destino, Medida do Ritmo, Dono de Todas as Respostas
e Remédio para Todos os Males.

Tijolada Reggae