A NOVA COMBO - SHAPE ON LINE - POR HENRY LELOT
Autoria: Henry Lelot
Terça-feira, 17 de outubro de 2006
A Nova COMBO - SHAPE ON LINE - Por Henry Lelot
Caros amigos, nesta edição vamos saber mais sobre
o EPOXY, essa nova tecnologia que vem se popularizando entre os
fabricantes de pranchas, a nível mundial.
Desde o verão de 2001, quando houve falta de blocos de
poliuretano no mercado nacional, passei a me especializar nesta
nova tecnologia que, na época foi muito criticada pelos shapers
de norte a sul do país, que tentavam fazer as pranchas shapeadas
em EPS ( poliestireno expandido, também conhecido como isopor)
e laminadas com resina EPOXY, utilizando as técnicas e procedimentos
aplicados ao material convencional (poliuretano / resina poliéster)...
Andy Irons testando uma Lelot
Medidas da prancha do Andy
OCCY
E o resultado, eram pranchas leves e flexíveis demais,
pouco resistentes e duráveis, com performance inferior dentro
d’água. Os problemas mais comuns eram então:
a morosidade do processo de produção em função
da secagem mais lenta da resina epoxy, o amarelamento precoce, pin
holes e bolhas de ar que ocorriam durante a laminação,
pela falta de experiência dos fabricantes. Então muitos
desistiram: a tecnologia era muito recente e ainda não estava
pronta para entrar no mundo das pranchas. Porém, alguns shapers,
que se pode contar nos dedos de uma mão, não desanimaram
e deram continuidade ao processo de desenvolvimento do produto.
Felizmente, fui um deles e pude colaborar no desenvolvimento e na
popularização do novo produto, que iniciava então,
sua entrada no mercado.
A partir do fechamento da gigante americana Clark Foam (líder
mundial do mercado de blocos de poliuretano) no início deste
ano, muitos fabricantes passaram a desenvolver o produto novamente,
e a maioria atualmente já oferece pranchas confeccionadas
em EPS/EPOXY ao mercado consumidor, fazendo desta nova tecnologia,
uma tendência clara e irreversível no mundo das pranchas.
Desde então, o material vem evoluindo bastante... os fabricantes
que seguiram em frente no processo, pouco a pouco foram descobrindo
os segredos do novo material, obtendo pranchas com maior flexibilidade
e tensão, o que proporciona um impulso extra nas mudanças
de direção, semelhante a um “estilingue”.
O processo de secagem foi acelerado com a utilização
de estufas, o amarelamento precoce foi eliminado, as pranchas se
tornaram realmente leves, resistentes e duráveis, e a tradicional
resina poliéster agora utilizada no gloss, deu o toque final,
agilizando o processo de produção e assemelhando em
muito o acabamento de uma EPS/EPOXY ao acabamento de uma prancha
convencional.
Eu disse leves, porém, nem tanto: no início, para
garantir pranchas de extrema leveza, os fabricantes aplicavam apenas
uma fina camada de fibra de cada lado do bloco de EPS, que por ser
praticamente composto de ar, proporcionava pranchas realmente super
leves, com menos de 2 kg, e pudemos constatar então, que
uma prancha leve demais não é o ideal: ela perde em
“drive” (direção) e pegada, acaba ficando
flexível em demasia, ocasionando maior inércia nas
trocas de borda e um insuperável problema de timing na onda,
além de quebrar e trincar muito facilmente.
Então passamos a aumentar a gramatura de fibra sobre a
prancha para regular a flexibilidade da prancha, e chegamos à
seguinte conclusão: o peso ideal de uma prancha deve variar
proporcionalmente ao peso do surfista. Assim conseguimos chegar
a pranchas com peso cerca de10% mais leve que o de uma convencional,
que é o peso considerado ideal
Em nossa oficina, produzimos hoje pranchas em poliuretano / poliester
(convencional) e também em EPS/EPOXY, e há cerca de
1 ano começamos a testar a compatibilidade entre os materiais;
a primeira conclusão pertinente foi de que o acabamento poderia
ser feito com resina poliéster, com vistas a acelerar o processo
de produção, considerado um dos maiores entraves para
a popularização da nova tecnologia entre os fabricantes...
Então, chegamos a uma prancha mais resistente e durável,
com maior flexibilidade e tensão, garantindo maior impulsão
dentro d´água. Esse mix se tornou excelente para o
caso de iniciantes, surfistas sedentários, ou que surfam
com menor freqüência, pois o bloco de EPS garante uma
prancha que flutua 30% mais do que uma convencional, garantindo
remada e velocidade própria superiores. Também é
reconhecida a vantagem de uma EPS/EPOXY em ondas pequenas e fracas
como as do nordeste do Brasil, por exemplo.
Contudo, o surfe profissional ainda não aprovou a nova
tecnologia: muito embora atletas de renome tenham sido vistos na
mídia utilizando o novo conceito, trata-se de uma estratégia
de marketing mais voltada para atingir o consumidor final, e não
exatamente direcionada para a performance competitiva, uma vez que
é raro ver atletas de ponta realmente competindo com EPS/EPOXY
e obtendo grandes resultados.
Durante as etapas do WCT no Brasil, costumo fazer pranchas para
vários top do circuito mundial, como Andy, Occy, Slater e
Joel Parkinson, e o consenso é que a prancha de EPS/EPOXY
força o atleta a surfar mais adiantado em relação
ao pocket da onda, o que não favorece o critério de
julgamento, salvo os dias em que as condições do mar
estão realmente bem pequenas (1 a 2 pés de onda) e
o EPS se torna uma vantagem competitiva.
Porém, o problema se agrava na medida em que o mar sobe
e as ondas se tornam mais fortes. O jovem talento de Fernando de
Noronha Patrick Tamberg, 19, especialista em tubos e aéreos,
também constatou o mesmo e acabou optando por voltar ao poliuretano,
após mais de 3 anos usando pranchas feitas somente em EPS/EPOXY.
Um outro entrave, comentado por muitos: por menor que seja o tamanho
do quebrado, você não pode continuar surfando porque
acabará entrando muita, mas muita água mesmo, pelo
fato do EPS ser bem mais poroso. Ao deixar a prancha exposta ao
sol, a pressão do ar quente, expele a água do interior
da prancha, mas sempre permanece um residual, proporcional ao tempo
que o surfista permaneceu dentro d’água.
Porém, o maior problema em questão é com
relação à manutenção da prancha,
que não pode ser consertada com resina poliéster,
pois os materiais são incompatíveis (a resina poliéster
derrete instantaneamente o EPS). Além disso, são poucos
os fabricantes e consertadores realmente especializados na nova
tecnologia, tanto no Brasil quanto no exterior, por se tratar de
uma tecnologia ainda muito recente, mesmo com a grande divulgação
que vem ocorrendo mundialmente.
A nova “COMBO”
Como afirmei acima, o EPS derrete ao menor contato com a resina
poliéster. Porém, a resina EPOXY é compatível
com ambos os materiais (poliuretano / EPS). A partir desta constatação
e das conclusões anteriores, passei a desenvolver um novo
conceito híbrido, baseado na combinação do
poliuretano com a resina epoxy, que denominei COMBO.
A COMBO alia as vantagens do poliuretano às do epoxy e
se torna assim a melhor de todas as opções. Após
quase 6 meses de testes, estamos lançando no mercado este
novo conceito, cujo resultado tem sido excelente: se não
é mais leve, não é mais pesada, porém
é a mais resistente e durável entre as 3 opções.
Em termos de performance também é superior, porque
a resina epoxy, além de ser mais resistente e durável
do que a resina poliester, tem maior flexibilidade e tensão.
A COMBO tem maior durabilidade em função das características
químicas da resina epoxy, e a sua performance também
se mantém funcional por mais tempo, diferentemente da resina
poliester , cujo processo de cura é ininterrupto e permanente,
e a performance da prancha entra em queda em curto período
de tempo. Além disso, na COMBO não entra mais água
do que em uma prancha convencional porque é feita no já
conhecido poliuretano, e vc pode consertar com resina poliéster
sem problemas, pois os materiais são totalmente compatíveis.
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nesta matéria, entre em contato via MSN: hlelot@hotmail.com,
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Boas ondas para todos !!!
Lelot
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