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Shape Online por Henry Lelot

PRECISÃO NAS MEDIDAS...VOCÊ JÁ OUVIU FALAR DE UMA PRANCHA MÁGICA?

Autoria: Henry Lelot
Fotografia: Diversos

Terça-feira, 23 de maio de 2006

PRECISÃO NAS MEDIDAS...

“Shapear pranchas é uma arte cada vez mais próxima da ciência...”

Você já ouviu falar de uma prancha mágica? É o termo usado para se referir àquela prancha que o shaper conseguiu acertar, que ficou perfeita. Então ele tentou fazer outra igual...porém a verdade é que nunca mais conseguiu. Quem pega onda há mais tempo já ouviu essa história uma centena de vezes. Há algumas décadas o shape era pura arte, onde cada obra-prima era resultado de puro feeling... e poucas medidas.

Eu aprendi a shapear na Natural Progression, uma grande fábrica da Califórnia durante os anos 80. Nessa época, fazer pranchas era realmente pura arte... eram utilizadas poucas medidas e o shape era toda feito com base no tão famoso “olhômetro”. Porém, neste novo milênio, ele vem se transformando em resultado de muita engenharia onde impera a matemática, ou seja, uma ciência exata.


Andy Irons

Medidas do Andy

Joel Parkinson

Occy

Occy 2

Quadro de medidas

Muitas vezes já pensei em parar de shapear por tentar e não conseguir repetir uma boa prancha. O cliente dizia...ficou boa, mas não ficou igual, é diferente da outra...Isso me causava uma certa frustração...ficava a sensação de não ter controle sobre o meu trabalho, aquilo que eu sei fazer de melhor... não podia nem ao menos afirmar como a prancha iria se comportar dentro d’água. É muito constrangedor o cliente lhe dizer que ela não ficou como ele esperava, e como eu previa...

Talvez essa insatisfação com o meu próprio trabalho, tenha me levado a buscar alguma maneira de obter maior controle sobre ele, e foi o que procurei fazer através da utilização de mais medidas em minhas pranchas... na época se usavam poucas, menos de 10: tamanho, rabeta, largura do outline e espessura da longarina no meio da prancha. Então passei a medir em mais pontos na extensão da prancha e fui aumentando o número de medidas... passei de 10 para 20, depois para 30 e como perdurava aquela sensação de falta de controle sobre o funcionamento da prancha, tive um insight e passei a testar mais 20 medidas, visando controlar toda a extensão das bordas, regulando a espessura e o formato em toda a extensão das bordas. Então eu passei a conseguir sentir mais controle sobre o funcionamento da prancha: testando as medidas, descobri que as bordas influenciam diretamente no timing da prancha... e se vc consegue um timing parecido, consegue pranchas realmente parecidas na água.

Em 1992 criei a primeira versão do COMPUTER DESIGN SYSTEM, um programa que fornecia as medidas para cada prancha a ser shapeada a partir das informações do cliente. Mas com o tempo constatei que o programa muitas vezes levava ao erro, pois não tinha a capacidade de “pensar”, de combinar as medidas de acordo com as necessidades específicas de cada surfista, enfim não poderia nunca superar ou substituir o shaper, e ainda acabava afastando-o da tarefa que é a parte mais criativa e interessante do seu trabalho: o planejamento da prancha.

Então transformei o CDS em uma planilha, um cardápio de medidas, oferecendo um leque de combinações para o shaper planejar cada prancha utilizando mais de 50 medidas que, ao longo dos anos, foram sendo proporcionalmente testadas, com variação de até 1/32 de polegada, e reguladas através do feedback até de campeões mundiais do nível de OCCY e ANDY IRONS, que todos os anos me passam informações bem detalhadas sobre a performance de cada prancha.

O CDS pode ser personalizado também com as medidas da preferência de cada shaper, e até mesmo uma prancha mágica do Kelly Slater pode ser proporcionalizada através do CDS, de maneira que o shaper sempre possa ter um leque de opções para compor o planejamento de cada prancha.

CDS X DSD Surfcad Mas contando com o CDS, adquiri o DSD e passei a testar a utilização dos dois métodos combinados, onde o shaper planeja a prancha toda através do CDS, aplica as medidas básicas no master desenvolvido por ele no DSD, recebe o pré-shape e então executa o finish conferindo todas as medidas planejadas. Como a máquina não desbasta a longarina, é necessário conferir primeiramente as medidas usinadas pela máquina, ou seja, toda a extensão do rocker, do bottom e da longarina. Em seguida, aplica as tão importantes medidas de centro e espessura das bordas, também em toda a extensão da prancha, controlando assim o seu formato e caimento de maneira precisa, e então faz a marcação das quilhas, tudo de acordo com o planejamento feito através do CDS. Trabalhando assim o shaper pode garantir pranchas com o máximo de semelhança não somente a nível visual, como já é feito hoje, mas também a nível de performance, ou seja, dentro d’água.

Há dois anos a revista FLUIR publicou uma matéria no guia de pranchas, abordando justamente essa nova teoria, gerando até uma certa polêmica entre os shapers...Eis que a teoria se tornou realidade, e se a princípio parecia haver alguma disputa entre os dois métodos de trabalho, posso hoje afirmar que o CDS e o DSD Surfcad nasceram um para o outro e se complementam de maneira simplesmente perfeita, sobretudo quando o principal objetivo do shaper é realmente o máximo de precisão em seu trabalho. É uma grande satisfação estar iniciando esse trabalho editorial junto ao mercado português.
Se vc deseja maiores informações a respeito do assunto, falar diretamente comigo, tirar suas dúvidas sobre pranchas, ou mesmo encomendar a sua prancha sob medida pela internet, visite nosso site: www.lelot.com.br e adicione hlelot@hotmail.com em sua lista de amigos no MSN messenger, ou Hlelot@yahoo.com.br no YAHOO messenger, onde ficamos diáriamente on line, ou entre no site www.surfcore.com.br e deixe sua pergunta no fórum SHAPER ON LINE onde sou moderador e respondo a todos com o máximo de atenção.

A próxima coluna será a respeito de PRANCHAS confeccionadas em EPS/EPOXY; vc já ouviu falar dessa nova tecnologia que vem se difundindo cada vez mais em todo o mundo e não deverá levar muito tempo para dominar o mercado de pranchas? Então aguarde...

Um abraço e boas ondas,
Henry Lelot