As novas
tecnologias para as pranchas de surf
Quando a tradicional e lendária fábrica Clark Foam (até então líder mundial do mercado de blocos de poliuretano) fechou no verão de 2001 shapers e fabricantes de pranchas não tiveram outra saída que não fosse buscar novas alternativas para fabricação dos mágicos foguetes que deslizam na água – as pranchas de surf. Com novas pesquisas em tecnologia logo chegaram ao mercado as pranchas fabricadas em EPS (conhecido também como ISOPOR ou poliestireno) e laminadas com a nobre resina Epoxy, (o convencional é a resina poliéster). Como na época muitos shapers não tinham conhecimento do material, ficava mais difícil o manuseio e aplicação de técnicas. Foi-se a fase do descobrimento, experimentos, erros e acertos, até que finalmente percebeu-se que as pranchas fabricadas com eps/epoxy oferecem vantagens como maior leveza, flexibilidade, resistência e durabilidade. Segundo
o shaper Henry Lelot, um dos poucos artesãos a acreditar
no produto na época: o processo de secagem foi acelerado
com o desenvolvimento de novos endurecedores mais específicos
para o segmento e também através da utilização
de estufas e o amarelamento precoce também foi resolvido
quimicamente por alguns fornecedores e as pranchas que eram muito
leves e frágeis inicialmente, foram reforçadas com
camada mais espessa de fibra para aumentar o peso e a resistência,
uma vez que os testes na água mostraram que a leveza excessiva
era anti-funcional. A TECNOLOGIA COMBO: POLIURETANO + EPOXY Porém mesmo com o passar dos anos, as pranchas de eps/epoxy não conseguiram entrar efetivamente no mundo das competições, ainda intrigado, Lelot passou a desenvolver pesquisas continuas junto a atletas de ponta, para compreender o “porque” da situação e partir de suas conclusões criou um conceito novo de prancha que ele chama de COMBO. Uma prancha que une as vantagens do poliuretano às do epoxy tornando-se assim a melhor opção dentre as três existentes hoje. Após dois anos de testes as conclusões apontam para a prancha dos sonhos de qualquer free surfer ou competidor: leve, ela também é superior em termos de resistência, durabilidade e sobretudo performance, porque a resina epoxy, além de ser mais resistente e durável do que a resina poliéster tem maior flexibilidade e tensão (memory flex).
“A maior vantagem de todas é o fato dela ter a sua performance prolongada por muito mais tempo do que uma convencional”, ou seja, se uma convencional dura de 3 a 4 meses em boa performance uma combo, pelas características da resina epoxy dura de 1 a 2 anos com alto rendimento dentro d’água. A junção da tecnologia convencional com a nova permitiu um aprimoramento maior do esporte, contribuindo para a popularização do mesmo, afinal agora as pranchas contam com diversas opções de tecnologia, é só escolher. As
novidades trazem benefícios tanto para os atletas profissionais
como para aqueles que elegeram o surf como esporte preferido ou
até mesmo como um hobby. Para a surfista Fabiana Silva
que pratica o esporte há algum tempo “as pranchas
de epoxy são realmente mais leves e resistentes, mas é
tudo uma questão de adaptação e conhecimento,
porque sempre devemos estar aberto para o novo”.
Não foi só em materiais que o surf evoluiu, o mercado ganhou também uma tecnologia para o designer (layout) de pranchas, um software de computador chamado Digital Shape Design DSD que permite agilizar o trabalho do shaper e deixa-lo mais livre para o desenvolvimento de novos designs, além de permitir uma maior padronização na performance de suas pranchas. O programa salva o desenho de cada prancha e facilita a repetição de pranchas semelhantes, otimizando tempo e qualidade; o shaper pode fazer as pranchas de maneira mais rápida, porém mantendo o lado artesanal.
Como funciona: O cliente preenche uma ficha de encomenda via internet www.lelot.com.br e se comunica diretamente com o mesmo por e-mail, msn, skype e/ou telefone, para tirar suas dúvidas e definir a prancha ideal para o seu perfil. Uma vez confirmado o pedido, a ficha é numerada e o shaper faz o planejamento personalizado utilizando a planilha CDS (Computer Design System): um data-base que fornece mais de 50 medidas para cada prancha a ser feita, considerando uma série de variáveis como peso, altura, grau de habilidade, tipo de onda, posicionamento do corpo, aplicação da força exercida sob a prancha e até mesmo o tamanho do pé do surfista, permitindo pranchas com um grau de personalização, proporcionalidade e precisão ainda superiores ao obtido apenas com a utilização da máquina. Então é feito o desenho computadorizado da prancha com base nas medidas planejadas. Cada cliente tem um arquivo com seu nome e todas as pranchas feitas. Cada prancha shapeada conta com 04 arquivos: 1) ficha de encomenda (.txt), 2) planejamento com medidas personalizadas (.xls), 3)desenho personalizado (.srf) e 4) corte na máquina (.cut). Esses arquivos são então enviados por email para o local onde a prancha será produzida e o shaper local confere todas as medidas feitas pela máquina e aplica outras 25 medidas para garantir uma prancha milimétricamente perfeita. Com essa revolucionária tecnologia que permite pranchas feitas a distancia, e mesmo assim, totalmente personalizadas, nos últimos 03 meses Lelot já produziu experimentalmente mais de 50 pranchas em Portugal, onde mantém uma base de produção para atender a toda Europa, e está prestes a iniciar produção na Austrália, Japão, USA e no Peru, onde estará sendo montado um pólo de produção para atender aos países do mercosul. No Brasil, o licenciamento ocorrerá em todos os estados litorâneos, já tendo sido feitos os primeiros protótipos em Natal e Salvador. As novas tecnologias chegaram ao mesmo ritmo de evolução e crescimento frenético desse mercado, que até pouco tempo atrás, não tinha destaque na mídia brasileira, a não ser em revistas especializadas. Não é fácil quebrar paradigmas, superar pré-conceitos, afinal o mercado anda conforme o mundo gira. E o mundo voa! A procura pelo esporte só aumenta, portanto, as novas tecnologias são mais que necessárias para atender a demanda. Afinal o surf é talvez o esporte individual mais popular do Brasil.
|
|
|
|