EPOXY X POLIURETANO
Autoria: Henry Lelot
Fotografia: Divulgação
Quinta-feira, 5 de janeiro de 2006
Shape On Line
EPOXY x POLIURETANO
O shaper Lelot responde ao Gustavo de 17 anos essa polêmica
questão
Olá,
Tenho 17 anos, surfo desde os 8 anos (ou seja, já tenho alguma
experiência). Eu queria saber sobre a diferença entre
a prancha de epóxi e de poliuretano. Sei que a de epóxi
é mais leve. Mas em relação às manobras,
e sobre a resistência da prancha (de épóxi trinca
mais fácil?)? A prancha de epóxi pode proporcionar
um alto desempenho? ou só voa e não joga água?
O que você acha, vale a pena ter só uma prancha, e
ela ser de epóxi?!
Obrigado pela atenção, e aguardo resposta
Gustavo Faria Borges
PatrickTamberg
Caro Gustavo,
Pergunta boa de responder...:
A prancha de epoxy é mais leve, mais resistente, mais durável,
possui mais flutuação e remada, e por isso mesmo,
performance superior dentro d´água. Mas o fabricante
precisa ter experiência com a nova tecnologia epoxy para que
o resultado seja realmente bom, caso contrário, ela fica
leve demais, flexível demais, pouco resistente e durável,
prejudicando sua performance na água.
Atualmente aplicamos duas camadas de fibra 5oz (mais espessa)
em cada lado da prancha para torná-la mais compacta, garantindo
a flexibilidade ideal...uma nova técnica de laminação
ainda permite um acabamento igual ao de uma prancha convencional.
As medidas são as mesmas de uma feita em poliuretano, caso
contrário você perde a vantagem proporcionada pelo
material. Venho desenvolvendo também, um novo conceito híbrido,
baseado na combinação do poliuretano com a resina
epoxy, que proporciona uma prancha mais adequada para surfe forte
em ondas cavadas, maiores ou com maior pressão.
A resina epoxy para pranchas é mais flexível do
que a resina poliester e por isso não trinca e não
dá mossas como a de poliuretano. A prancha dura bem mais,
e com o passar do tempo continua em bom estado para revenda. Sua
performance também se mantém por mais tempo em função
da resina estabilizar com o endurecedor, diferentemente da resina
poliester , cujo processo de secagem é ininterrupto e permanente
ocasionando perda de performance continua e por fim o trincamento
da prancha. Por isso uma convencional dura pouco tempo funcionando
bem dentro d´água.
A prancha de epoxy, feita com o peso ideal (não tão
leve como se imagina) anda muito mais e requer até mesmo
uma adaptação a sua flutuação, remada
e velocidade superiores; além disso, a combinação
do isopor com a resina epoxy e uma camada de fibra mais grossa,
proporcionam uma estilingada da prancha a cada mudança de
direção, jogando-a sempre mais à frente do
que uma prancha convencional, isto é, ela impulsiona bem
mais, e dá até uma sensação de estar
perdido na onda, durante as primeiras caídas, mas tudo é
uma questão de adaptação.
Surfistas mais antigos, pelo vício no convencional, sentem
maior dificuldade e necessitam de um pouco mais paciência
para pegar o pé da prancha. Depois, é só felicidade...para
o aéreo então, voa mais alto mesmo...nas batidas,
rasgadas, etc, se tiver com o peso certo ela joga mais água
também, mas se estiver leve demais não fica boa mesmo...
Para consertar é igual a uma prancha convencional, isolar
o bloco de isopor primeiro e depois aplicar mais camadas de fibra
(3 camadas), pois o local não pode ficar fraco em nenhum
ponto, caso contrário ela volta a quebrar no mesmo lugar
em função da maior flexibilidade do isopor (usar somente
resina epoxy ou cola de caderno para isolar o isopor e depois vc
pode consertar até mesmo com resina poliester).
No exterior o epoxy vem sendo considerado a sensação
em termos de novas tecnologias pra pranchas de surfe e os melhores
surfistas do mundo cada vez mais têm experimentado. Meu atleta
Patrick Tamberg (19) garantiu sua vaga no Supersuf este ano surfando
somente com epoxy, o que prova a performance do material para competições...
No último WCT, entreguei a encomenda do Bruce Irons, feita
ano passado... o Slater também me disse que o Al Merrick
tem feito algumas para ele, que gosta do material...Andy e Occy
também, mas comentaram que com onda over-head, a prancha
perde rendimento, o que não discordo...
Então, de um tempo para cá, passei a desenvolver
um novo conceito híbrido para surfe forte em ondas cavadas
ou maiores, que é o ponto fraco tanto do poliuretano como
do epoxy: combinando o poliuretano com a resina epoxy, venho conseguindo
um feed-back excelente, proporcionando uma prancha mais resistente
e com performance superior especialmente nas condições
citadas, exatamente como vem rolando no tow in.
Espero ter esclarecido suas dúvidas, e a de muitos outros
surfistas/internautas que têm curiosidade a respeito do assunto.
Quem tiver interesse em falar mais a respeito do assunto, estamos
ON LINE diáriamente no MSN, bastando nos adicionar na sua
lista de contatos: hlelot@hotmail.com
Boas ondas para todos em 2006 !!!
Lelot
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