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Shape Online por Henry Lelot


PRANCHAS DE EPOXY COM ACABAMENTO EM POLYESTER

Autoria: Henry Lelot


Domingo, 9 de abril de 2006

PRANCHAS DE EPOXY COM ACABAMENTO EM POLYESTER

Caro Lelot,
Tenho visto algumas pranchas de epoxy que alguns amigos encomendaram com você, e acho que o acabamento melhorou muito...parecem até pranchas convencionais, difícil perceber a diferença. O acabamento está tão parecido que dá a impressão de ter sido feito com resina polyester...existe essa possibilidade? Sempre ouvi falar que os materiais são incompatíveis...
Abraço
Diego Pierre
secrdie86@hotmail.com

Caro Diego,

Há cerca de 5 anos atrás, ao perceber as vantagens do epoxy, cheguei a parar de fazer pranchas convencionais para me especializar na nova tecnologia que começava a engatinhar no Brasil. Foi um período de muitas experiências visando desenvolver o material para pranchas de surfe. Aprendi muita coisa de maneira empírica, isto é, através de tentativas, erros e acertos. Apesar de bastante superior em termos de flexibilidade, tensão, resistência e ser impermeável, a resina epoxy não é tão fácil de se trabalhar como a resina poliéster, ela demora mais para secar e requer procedimentos especiais para não dar problemas de laminação.


Patrick Tamberg


Após desvendar boa parte dos mistérios do epoxy, no ano passado eu resolvi voltar a confeccionar também pranchas em poliuretano/polyester para atender aos pedidos de clientes mais conservadores. E há cerca de 8 meses começamos a experimentar pranchas de epoxy com acabamento sendo feito com resina polyester... melhorou muito o acabamento, que sempre foi um dos maiores problemas da prancha de epoxy, e o novo procedimento ainda agilizou radicalmente a produção. Restava saber se haveriam efeitos colaterais...pois bem, após mais de 400 pranchas de epoxy feitas com acabamento em poliester, constatamos que em apenas 04 pranchas houveram problemas: a ultima camada dela minou (descascou) em pequenas áreas (de poucos centímetros) no deck da prancha, especialmente entre as bases, onde os surfistas em questão aplicam maior pressão...

Por se tratar de um produto artesanal, e portanto passível de falhas humanas no processo de produção, aventamos a possibilidade do fato ter sido causado por um eventual exagero na quantidade de acelerador e catalizador adicionados à resina polyester aplicada no acabamento, durante as altas temperaturas do verão, o que pode ter tornado o gloss (camada final de resina) muito rígido, vitrificado, impedindo-o de acompanhar a reconhecida flexibilidade superior da resina epoxy que compunha o restante das pranchas. Acreditamos nessa possibilidade, porque o fato ocorreu em apenas 1% da produção em epoxy (somente 04 casos em mais de 400 pranchas produzidas em epoxy nos últimos 8 meses), ou seja, foram situações isoladas sintetizadas em um dado estatístico que nos permite concluir com segurança que o novo procedimento é seguro e não oferece maiores riscos, a exemplo das demais pranchas produzidas que estão impecáveis até hoje, pois mantemos contato permanente com nossos clientes.

A delaminação quando ocorre, não compromete a resistência, a durabilidade ou sequer a performance da prancha, tratando-se apenas de uma falha simples no acabamento, e fácil de ser corrigida bastando a aplicação de um novo gloss de polyester sobre a área delaminada, com o cuidado de adicionar menos catilizador do que o normal (procedimento usual), retardando a secagem da resina, que assim consegue acompanhar a flexibilidade do epoxy sem mais rachar e descascar. Com este procedimento fica mesmo difícil de ser percebida a área afetada após o conserto.

Para ainda melhor elucidar a questão, gostaria de colocar que a resina polyester é incompatível com o poliestireno (isopor) derretendo-o ao primeiro contato, mas a resina epoxy não é incompatível com o poliuretano, tanto que estou produzindo pranchas combinando os dois materiais (COMBO) para ondas cavadas e maiores, a exemplo do que vem ocorrendo no tow in... E as resinas polyester e epoxy, após terem sua superfície lixada, não são incompatíveis...trata-se apenas de uma questão de flexibilidade dos materiais que deve ser compatível para evitar um eventual problema de delaminação.

Concluindo: em meu ponto de vista, o acabamento (gloss) de resina polyester em pranchas de epoxy é perfeitamente viável, mas a catalização deve ser mais lenta para que não venham a ocorrer problemas de incompatibilidade na flexibilidade de cada material... E para tanto deve-se observar sempre a temperatura no ambiente de trabalho, assim, vc terá uma prancha de epoxy que não perde mais em acabamento para uma convencional e o fabricante verá as pranchas saindo da produção com maior agilidade sem ter que pagar a mais pelo trabalho de sua mão-de-obra.

Se você ainda tiver dúvidas sobre o tema, entre em contato comigo pelo msn, ou mande sua pergunta através da coluna. Semana que vem estou indo ao Perú pegar um swell que está chegando, mas estarei de volta em 10 dias. Podem mandar suas perguntas que estou levando o Laptop, ok? Boas ondas para todos !!

Henry Lelot
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